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Garagem Elétrica

Quanto cobrar pela recarga no seu negócio

Atualizado em 3 de setembro de 2026

Você instalou o carregador. Agora vem a pergunta que ninguém responde na proposta comercial: quanto cobrar?

A boa notícia é que a resposta é sua. A má é que quase todo mundo começa errado — copiando o preço do concorrente sem saber o próprio custo, ou cobrando por tempo quando deveria cobrar por energia.

Antes de tudo: você pode cobrar

A REN ANEEL nº 1.000/2021, no capítulo V, permite que qualquer interessado preste serviço de recarga com finalidade comercial e preço livremente negociado. Não é revenda de energia, não exige concessão, e ninguém precisa aprovar a sua tabela.

Você vai encontrar muita referência à REN 819/2018, que abriu esse caminho — ela já foi revogada, e a matéria está consolidada na 1.000/2021.

Preço livre significa livre mesmo: não há teto, não há piso, e não há obrigação de justificar. O que existe é a consequência comercial de errar.

Comece pelo seu custo real

Não é a tarifa da conta de luz. É a tarifa mais tudo que a recarga consome de você:

ComponenteComo levantar
Energiatarifa cheia com impostos, do seu último faturamento
Perdassome cerca de 10% — nem tudo que sai do medidor entra na bateria
Demandase você é do grupo A, a recarga pode empurrar a demanda contratada
Manutenção e softwaremensalidade da plataforma, meio de pagamento, suporte
Ocupação da vagaa vaga tem valor mesmo sem carregador

O terceiro item é o que mais surpreende. Um carregador DC de 60 kW ligando junto com o pico do estabelecimento pode estourar a demanda contratada e gerar multa que apaga a receita do mês inteiro. Veja quando o DC rápido faz sentido.

Com o custo na mão, o preço é uma decisão de margem — e aí entra qual modelo você usa.

Os quatro modelos

1. Por kWh entregue

Você cobra por energia. É o modelo mais justo para o cliente e o mais fácil de defender: ele paga pelo que levou.

Serve quando o carregador é AC, a permanência é longa e a rotatividade não é o problema — hotel, condomínio, estacionamento mensal.

O problema: não resolve carro que fica plugado depois de cheio. Se a vaga é escassa, cobrar só por kWh convida à ocupação indevida.

Exige medição confiável por sessão. Veja as formas de medir e quando cada uma serve.

2. Por tempo conectado

Você cobra por minuto ou por hora de ocupação.

Serve quando a vaga vale mais que a energia — shopping, rua, estacionamento rotativo com fila.

O problema: é injusto com quem tem carro lento. Dois clientes ficam uma hora; um leva 7 kWh e outro leva 22, e ambos pagam igual. Quem tem carro de 3,7 kW percebe e não volta. Entenda por que o carro limita, não o carregador.

3. Híbrido: energia + permanência

Cobra-se o kWh, e a partir de certo tempo entra uma taxa de ocupação — normalmente só depois que a carga termina.

É o modelo que a maioria dos operadores sérios converge, porque separa as duas coisas que você está vendendo: energia e vaga.

Serve em quase todo lugar com rotatividade. O único requisito é o sistema saber quando a carga terminou, o que nem toda plataforma faz bem. Pergunte antes de assinar.

4. De graça, como atrativo

A recarga não é o produto: é o motivo de o cliente escolher você.

Serve quando o tíquete do negócio principal é alto e o tempo de permanência é o que você quer aumentar — restaurante, hotel, mercado.

Faça a conta antes: um carregador AC de 7,4 kW puxa cerca de 15 kWh do seu medidor numa parada de duas horas — desses, uns 13 chegam na bateria do cliente, e o resto é perda que você paga igual. A R$ 0,80 o kWh, o custo é de aproximadamente R$ 12. Se a margem do seu tíquete médio for maior que isso, a recarga gratuita é marketing barato — mais barato que quase qualquer mídia.

Se for menor, você está pagando para o cliente estacionar. Veja a conta completa para hotel, restaurante e mercado.

O erro mais comum

Cobrar por minuto num carregador AC.

Em corrente alternada quem manda na velocidade é o carregador de bordo do carro, não o seu equipamento. Você cobra igual de todo mundo e entrega quantidades muito diferentes — e o cliente com carro mais lento sai com a sensação, correta, de ter sido cobrado por nada.

Cobrança por tempo faz sentido em DC rápido, onde o seu equipamento realmente determina a velocidade, e onde a vaga precisa girar.

Como chegar no seu número

  1. Calcule o custo por kWh entregue, somando energia, perdas e rateio de manutenção.
  2. Defina a margem conforme o papel do carregador: se é receita, margem de serviço; se é atrativo, pode ser zero ou negativa de propósito.
  3. Olhe o mercado da sua região — não para copiar, mas para saber onde você está. Preço muito acima sem justificativa afasta; muito abaixo atrai quem só quer energia barata e não consome nada.
  4. Decida a política de ocupação separadamente do preço da energia.
  5. Publique o preço no ponto, de forma legível antes de conectar. É o que evita reclamação, e é o mínimo de boa-fé com o consumidor.

Revise a cada seis meses

Tarifa de energia muda, bandeira muda, e o custo de plataforma muda. Preço definido uma vez e esquecido vira prejuízo silencioso — ou preço fora de mercado.

Marque a revisão na agenda junto com outro compromisso recorrente, para não depender de lembrar.

O que perguntar à operadora, se você for terceirizar

  1. Quem define o preço — você ou a operadora?
  2. Como é o repasse, e em quanto tempo?
  3. A plataforma cobra por kWh, por tempo, ou os dois? Ela sabe distinguir carga terminada de carro parado?
  4. Quem responde pela reclamação do cliente sobre cobrança?
  5. O que acontece com o preço se a tarifa da distribuidora subir?

A quinta é a que separa contrato bem feito de dor de cabeça no primeiro reajuste. Veja o que checar antes de assinar com uma operadora.


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