Wallbox monofásico ou trifásico: qual a sua casa entrega
Antes de escolher a potência do carregador, é preciso saber o que a sua casa entrega. Esse dado vem do tipo de fornecimento contratado com a distribuidora — e é ele que define o teto, não o equipamento que você comprar.
Os três tipos
Monofásico. Uma fase e um neutro. É o fornecimento mais simples e mais limitado, comum em imóveis menores. Um wallbox de 7,4 kW já representa uma parcela significativa da capacidade típica.
Bifásico. Duas fases. Comporta 7,4 kW com mais conforto na maioria dos casos.
Trifásico. Três fases. É a condição para considerar 11 kW ou 22 kW — e mesmo assim só faz sentido se o carro acompanhar.
Os limites exatos de cada categoria variam por distribuidora e região. Não existe tabela nacional, e desconfie de quem apresentar uma.
Como descobrir o seu
1. Confira a conta de luz. Muitas distribuidoras informam o tipo de fornecimento na própria fatura ou no aplicativo, num campo que costuma aparecer como “tipo de ligação” ou “classificação”.
2. Olhe o padrão de entrada. É o disjuntor geral, normalmente na caixa de medição. Conte os cabos grossos que chegam nele, sem contar o neutro e o terra:
| O que você vê | Provável fornecimento |
|---|---|
| 1 fase + neutro | Monofásico |
| 2 fases + neutro | Bifásico |
| 3 fases + neutro | Trifásico |
Outra pista está no próprio disjuntor: o número de “polos” costuma corresponder ao número de fases.
3. Pergunte ao eletricista na visita técnica. É a forma confiável, e ele vai olhar isso de qualquer forma antes de orçar.
Não abra a caixa de medição. Identificar o número de fases é observação visual, feita com a tampa que já é acessível. Abrir painel lacrado ou mexer no padrão de entrada é serviço de profissional habilitado, e mexer no lacre da distribuidora tem consequências.
A regra prática
| Fornecimento | Wallbox indicado |
|---|---|
| Monofásico | 7,4 kW, frequentemente com corrente limitada |
| Bifásico | 7,4 kW |
| Trifásico | 11 kW ou 22 kW, se o carro aceitar |
O detalhe que economiza dinheiro
A maior parte dos carros vendidos hoje no Brasil não aproveita mais que 7 a 11 kW em corrente alternada. Ou seja: mesmo com rede trifásica, um wallbox de 22 kW pode ser gasto desnecessário.
O limite real é sempre o menor entre a sua rede e o conversor de bordo do veículo. Os dois modelos mais vendidos do país param em torno de 7 kW — para eles, ter rede trifásica não muda nada na velocidade da recarga.
Veja como identificar o limite do seu carro ou use a calculadora que cruza os dois.
O que realmente decide não é a fase, é a folga
Ponto que confunde muita gente: saber que a casa é trifásica não significa que há capacidade sobrando.
Trifásico com o padrão já quase todo comprometido por chuveiro, ar-condicionado e forno pode ter menos folga real que um monofásico de casa pequena. O que importa é a margem disponível, não o número de fases.
E o que salva a maioria dos casos residenciais é o horário: você carrega o carro de madrugada, quando o chuveiro está desligado e o ar-condicionado é o único aparelho relevante ligado. O uso simultâneo real é bem menor que a soma das cargas instaladas.
Quando a rede não é suficiente
Duas saídas, na ordem de custo:
Limitar a corrente do equipamento. A maioria dos wallboxes permite configurar a corrente máxima na instalação. Você instala um equipamento de 7,4 kW e opera em 4,6 kW, por exemplo. Recarga mais lenta, custo zero adicional, e o carro fica parado oito horas de qualquer forma.
Usar equipamento com gestão de carga. Alguns wallboxes leem o consumo da casa em tempo real e reduzem a potência da recarga quando outros aparelhos ligam. Custa mais que o modelo simples e muito menos que um aumento de carga.
Pedir aumento de carga. Processo formal com a distribuidora, com projeto, prazo e possível troca do padrão de entrada. Veja como avaliar se é necessário.
Para uso residencial noturno, a primeira opção resolve a maioria dos casos.
Vale mudar para trifásico só por causa do carro?
Quase nunca, e vale entender por quê.
A troca envolve solicitação à distribuidora, projeto, possível novo padrão de entrada com poste e caixa, e prazo contado em semanas. É investimento relevante — e, se o seu carro aceita 7 kW, ele não vai carregar mais rápido depois da obra.
Passa a fazer sentido quando outra coisa já justifica a mudança: reforma que amplia a casa, ar-condicionado central, ou um segundo carro elétrico na família. Aí o carregador entra de carona numa obra que aconteceria de qualquer forma.
Veja quanto custa a instalação · Monte a ficha técnica do seu caso
Precisa de um orçamento de instalação?
Descreva a sua situação em um minuto. Analisamos o pedido e buscamos um instalador que trabalhe com projeto e ART. Gratuito e sem compromisso.
Pedir orçamento